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Bezerra de Menezes - Biografia

Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti nasceu no Estado do Ceará, na então Freguesia do Riacho do Sangue (atual cidade de Jaguaretama) em 29 de agosto de 1831 , e se configurou como um missionário cuja tarefa seria a de preparar a sociedade brasileira para acolher a semente do Espiritismo.

Ingressou, em 1852, como praticante e interno no Hospital da Misericórdia, sendo que passou por diversas privações materiais, buscando recursos para viver e custear seus estudos ministrando aulas de Matemática e Filosofia.
Já em 1856, com a defesa da tese "Diagnóstico do Cancro", conquistou o grau de Doutor em Medicina de modo que, no ano seguinte, passou a ser membro titular na Academia Imperial de Medicina. Em 1858 foi nomeado cirurgião-tenente do Corpo de Saúde do Exército e, passado algum tempo – embora no mesmo ano - casou-se com Maria Cândida de Lacerda.

Ingressou, em 1852, como praticante e interno no Hospital da Misericórdia, sendo que passou por diversas privações materiais, buscando recursos para viver e custear seus estudos ministrando aulas de Matemática e Filosofia.
Já em 1856, com a defesa da tese "Diagnóstico do Cancro", conquistou o grau de Doutor em Medicina de modo que, no ano seguinte, passou a ser membro titular na Academia Imperial de Medicina. Em 1858 foi nomeado cirurgião-tenente do Corpo de Saúde do Exército e, passado algum tempo – embora no mesmo ano - casou-se com Maria Cândida de Lacerda.

Ainda no exercício do primeiro mandato, desencarna sua esposa que o deixa com dois filhos pequenos. O fato o abala física e moralmente, levando-o a um período de prostração. Todavia, como tudo tem uma razão de ser - e Bezerra de Menezes era um enviado do Senhor para semear a luz na escuridão moral do nosso País -, a viuvez o atrai mais fortemente para as reflexões de ordem espiritual.

Casou-se, em segundas núpcias, com Cândida Augusta de Lacerda Machado, irmã de sua primeira esposa, que lhe daria cinco filhos.
Assim foi eleito deputado geral em 1867.

Por volta de 1875, o Dr. Carlos Travassos havia empreendido a primeira tradução das obras de Allan Kardec e levara a bom termo a versão portuguesa de "O Livro dos Espíritos". Logo que esse livro saiu do prelo, levou um exemplar ao deputado Bezerra de Menezes, entregando-o com dedicatória. O episódio foi descrito do seguinte modo pelo futuro Médico dos Pobres: "Deu-mo na cidade e eu morava na Tijuca, a uma hora de viagem de bonde. Embarquei com o livro e, como não tinha distração para a longa viagem, disse comigo: ora, adeus! Não hei de ir para o inferno por ler isto... Depois, é ridículo confessar-me ignorante desta filosofia, quando tenho estudado todas as escolas filosóficas. Pensando assim, abri o livro e prendi-me a ele, como acontecera com a Bíblia. Lia. Mas não encontrava nada que fosse novo para meu Espírito. Entretanto, tudo aquilo era novo para mim!... Eu já tinha lido ou ouvido tudo o que se achava no O Livro dos Espíritos. Preocupei-me seriamente com este fato maravilhoso e a mim mesmo dizia: parece que eu era espírita inconsciente, ou, mesmo como se diz vulgarmente, de nascença".

Por ser um político honesto, levantaram-se contra ele campanhas difamatórias, quando, então, refletiu suficientemente e decidiu abandonar a vida pública e dedicar-se aos pobres, repartindo com os necessitados o pouco que possuía materialmente; porém, o muito que possuía – e possui – espiritualmente. Corria sempre ao casebre do pobre onde houvesse um mal a combater, levando ao aflito o conforto de sua palavra de bondade, o recurso da sua profissão de médico e o auxílio da sua bolsa minguada e generosa. Bezerra de Menezes tinha a função de médico no mais elevado conceito, por isso, dizia ele: "Um médico não tem o direito de terminar uma refeição, nem de perguntar se é longe ou perto, quando um aflito qualquer lhe bate à porta. O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta hora da noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe ou no morro, o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro -- esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos de formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu Espírito, a única que jamais se perderá nos vaivéns da vida". Posteriormente seria carinhosamente conhecido como "médico dos pobres".

Dedicou-se a empreendimentos empresariais, criando a Companhia Estrada de Ferro Macaé-Campos. Foi um dos diretores da Companhia Arquitetônica que, em 1872, abriu o Boulevard 28 de Setembro, no bairro de Vila Isabel. Retornou à vida política sendo eleito vereador de 1876 a 1880 e, neste mesmo ano, presidente da Câmara e Deputado Geral.

No dia 16 de agosto de 1886, um auditório de cerca de duas mil pessoas da melhor sociedade enchia a sala de honra da Guarda Velha, na rua da Guarda Velha, atual Av 13 de Maio, no Rio de Janeiro, para ouvir em silêncio, emocionado, atônito, a palavra sábia do eminente político, do eminente médico, do eminente cidadão, Dr. Bezerra de Menezes, que proclamava a sua decidida conversão ao Espiritismo. Bezerra era um religioso no mais elevado sentido.

Sua pena, por isso, desde o primeiro artigo assinado, em janeiro de 1887, foi posta a serviço do aspecto religioso do Espiritismo. Demonstrada a sua capacidade literária no terreno filosófico e religioso, quer pelas réplicas, quer pelos estudos doutrinários, a Comissão de Propaganda da União Espírita do Brasil, incumbiu-o de escrever, aos domingos, no "O Paiz" - tradicional órgão da imprensa brasileira - a série de "Estudos Filosóficos", sob o título "O Espiritismo". O Senador Quintino Bocaiúva, diretor daquele jornal de grande penetração e circulação, "o mais lido do Brasil", tornou-se simpatizante da Doutrina Espírita.

Em 1883, reinava um ambiente francamente dispersivo no seio do Espiritismo brasileiro e os que dirigiam os núcleos espíritas do Rio de Janeiro sentiam a necessidade de uma união mais bem estruturada e que, por isso mesmo, se tornasse mais indestrutível. Os Centros, onde se ministrava a Doutrina, trabalhavam de forma autônoma. Cada um deles exercia a sua atividade em um determinado setor, sem conhecimento das atividades dos demais. Esse sentimento levou-os à fundação da Federação Espírita Brasileira.

Nessa época já existiam muitas sociedades espíritas, porém, as únicas que mantinham a hegemonia de mando eram quatro: a Acadêmica, a Fraternidade, a União Espírita do Brasil e a Federação Espírita Brasileira – esta fundada em 2 de janeiro de 1884. Entretanto, logo surgiram entre elas vivas discórdias.
Sob os auspícios de Bezerra de Menezes, e acatando prescrições das importantes "Instruções" recebidas do plano espiritual pelo médium Frederico Júnior, foi fundado o famoso "Centro Espírita", o que, entretanto, não impediu que Bezerra desse a sua colaboração a todas as outras instituições. O entusiasmo dos espíritas logo se arrefeceu, e o velho seareiro se viu desamparado dos seus companheiros, chegando a ser o único freqüentador do Centro. A cisão era profunda entre os chamados "místicos" e "científicos", ou seja, espíritas que aceitavam o Espiritismo em seu aspecto religioso, e os que o aceitavam simplesmente pelo lado científico e filosófico.

Em 1894, o ambiente mostrou tendências para melhora e o nome de Bezerra de Menezes foi lembrado como o único capaz de unificar o movimento espírita. O infatigável batalhador, com 63 anos de idade, assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira, eleito em 3 de agosto de 1895, imprimindo nova configuração nos trabalhos com base nos estudos evangélicos e doutrinários, propiciando, assim, serenidade e eficiência às atividades da Federação. Ocupou o cargo até a sua desencarnação, de modo que sua participação foi de importância incomensurável para a consolidação do Movimento Espírita no Brasil, o qual se firmou e traçou a diretriz do grande papel que o Espiritismo desempenharia no mundo.

Ocorrida a sua desencarnação em 11 de abril de 1900, verdadeira peregrinação demandou sua residência a fim de prestar-lhe a última visita.

Fontes - FEB e Site - O Espiritismo